quinta-feira, 29 de maio de 2025

A Travessia Interior

Entre sombras, dores e paz


Mergulhar em si,

Doloroso e necessário ato

Na busca pela cura

Do ser.


Respira e vai.

Adentra essa imensidão,

Cura tuas dores,

Abraça teu eu

E encontra tua paz.


Volta, não te percas

Na imensidão de ti

Ao enfrentar as sombras

Do abismo interior.


Encare-as, enfrente-as,

Compreenda-as e abrace-as.

Mas não se perca

Por não abrir mão

De amarras passadas.


Deixe-as ir, vá.

Volte à superfície,

Respire e siga.


Permita-se amar, amar-se.

Permita-se viver

Permita-se ser

Permita-se.

domingo, 31 de julho de 2022

À AeC JP, um ciclo encerrado em março de 2022.


Agradeci a Deus pelos bons momentos que vivenciei durante o período em que fiz parte da empresa. Me senti orgulhosa de mim mesma por cada certificado por bom desempenho (foram vários), por cada elogio recebido, por cada feedback (alguns não foram muito agradáveis), pelos dias de resultados bons e ruins, pelo reconhecimento do meu trabalho por parte de alguns gestores, mas principalmente pelas pessoas. Novos amigos, várias conversas bobas e engraçadas ou comentários e ideias mirabolantes durante as pausas ou antes do início da jornada de trabalho, por cada cafezinho com o tempo contato e corrido, sempre na companhia de alguém legal. Vi colegas se tornarem supervisores, alguns supervisores se tornarem coordenadores e até mudança de coordenação à gerência. Meu Deus, como  é lindo ver isso! Como é gratificante ver a evolução do próximo!. Conheci pessoas de todos os turnos, de todos ou quase todos os produtos, conheci supervisores de outras equipes, pessoas do RH, do ambulatório (em visitas não desejadas), funcionários da lanchonete e o senhor responsável por eles, conheci também pessoas que faziam um trabalho incrível mantendo a organização e limpeza de todo o espaço e não menos importante, os porteiros, que sempre, sempre estavam bem humorados e não tenho palavras pra expressar o quanto eles eram legais comigo. Vi alguns colegas saírem da empresa bem antes de mim, assim como acompanhei a chegada de muitos novatos, o que foi bem divertido porque conheci vários deles. Galerinha incrível demais! Sinto-me feliz por dizer que sim, tive bons momentos, mas como em qualquer situação na vida, estamos sujeitos a mudanças. 

Agora expresso com liberdade minha opinião pessoal, opinião essa que foi a mesma compartilhada por vários colegas de trabalho ao expressarem, em particular, suas revoltas. Quando estávamos finalmente voltando ao trabalho presencial depois de vários meses em home office devido a pandemia anunciada no final de 2019, no segundo semestre de 2021 a empresa fechou contrato com um novo cliente, ou seja, um novo produto, uma grande empresa, e fui, como vários colegas, migrada para atender este produto. Quando uma empresa tem um novo cliente, é normal que queira agradá-lo, queira superar suas expectativas e surpreendê-lo positivamente, mas nessa busca pela perfeição do serviço prestado apenas visando o lucro, muitas vezes ignoram seus limites (o que pode incluir vários fatores, como por exemplo, a situação em que todos estavam tendo que lidar com uma pandemia, com todo o medo e tristeza que ela trouxe, tentando voltar as suas rotinas, aos poucos e com cautela) ou seus recursos. A organização e bom planejamento nessa situação é indispensável, e a meu ver, os recursos eram ilimitados, mas faltou muita organização e planejamento. Houve contratação em massa sem suporte adequado para tantas pessoas (falo de centenas de uma única vez), novos operadores sendo enviados para o home office com menos de um mês no atendimento, muitos sem direito de escolha, afim de liberar mais espaço para mais contratações, cobranças excessivas por bons resultados, gestores que não prestavam suporte adequado aos operadores porque não tinham experiência com o novo produto por se tratar de uma implantação, operadores que passavam mal durante o atendimento por crises frequentes de ansiedade e estresse, e muitos atestados médicos pelos sintomas do vírus da pandemia, o que foi negligenciado pela empresa com a superlotação do espaço. Mas claro, tinham "adequado" todo o espaço para evitar a proliferação do vírus. Foi negligenciado também, o lado humano do ser. Éramos apenas matrícula, em outras palavras, tínhamos que entregar resultados e gerar lucros, apenas isso. Confesso que em muitos momentos não reconheci mais meu ambiente de trabalho, parecia que tudo estava de cabeça para baixo, um caos. Eu também estava passando por alguns problemas familiares, era um pesadelo. Adoeci. Em janeiro, enquanto minha irmã mais velha se recuperava de uma cirurgia e minha irmã gêmea, que há poucos meses havia se tornado mãe, estava em tratamento psiquiátrico e psicológico pois havia descoberto de forma bem agressiva, que tinha transtorno afetivo bipolar,  tive Covid-19. Também tive reação aguda ao estresse e estresse pós traumático, segundo o psiquiatra. Chorei, me desesperei, faltei ao trabalho, não consegui mais entregar resultados satisfatórios, estourei pausas e fui embora várias vezes sem concluir minha jornada de trabalho. Me senti sem norte, desorientada. Pedi ajuda e foi negada, pedi mudança de horário, negada, pedi mudança de supervisão, negada, pedi mudança de coordenação, negada, pedi migração de produto, negada sem nenhuma possibilidade. Solicitações negadas com a justificativa de "resultados ruins", fiz reclamações formais e não obtive nenhuma resposta. 

Enfim, saí.

Saí esgotada mentalmente e sem condições de agradecer aos porteiros, ao senhor da lanchonete e as "tias da limpeza" por tanta gentileza, mas sei que sentiam minha gratidão. Saí sem dizer tchau a alguns colegas, sem dizer pessoalmente o quanto desejo sucesso e realizações a cada um deles. Mas agradeço a Deus por tudo que aprendi durante os três anos que trabalhei nesta empresa.

Deixo claro que este é um espaço onde exponho a minha opinião, é a minha percepção, o meu ponto de vista e minha experiência pessoal. Não citei nomes ou mencionei detalhes, pois não pretendo e não tenho a intenção de denegrir a imagem de ninguém. Relato aqui, algo que pretendo manter vivo na minha memória.