segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Seu retrato


Ao vê-lo, as palavras travam em minha boca, 

Fogem da minha mente e não as ouço por alguns instantes.

Silêncio...

Apenas as imagens, o olhar e o sorriso raro e contido

Me vêm constantemente à memória.


As rugas já presentes na pele,

Os fios de cabelos brancos, lisos como seda.

A simplicidade gravada em seu coração,

No jeito de criança travessa.

Em suas expressões, as marcas da luta contínua

Contra suas fraquezas.


O olhar sempre vergonhoso de si,

Mas cheio de orgulho de seus frutos

Que eram vistos por ele como diamantes.

Um nó aperta minha garganta

E dos meus olhos transborda a saudade e se manifesta a dor.


E aos poucos me vêm de volta as suas palavras...


"Filha",

"Danila",

"Que horas vocês tão em casa?",

"Eu ligo mas só dá fora de área."

"Ajeita aqui o volume do meu celular."

"Tem café? Se tiver me dá um pequeno."

"Ai mê Deus."

"Tchau filha, se der eu passo aqui domingo."

"Deus te abençoe."


Ainda posso ouvir sua voz...

Sinto sua falta, pai.